O Luthier
Um pouco da minha história
Sou António Monteiro, a pessoa por trás das Guitarras Flor-de-Lis. Nasci a 17 de outubro de 1964 em Travanca (Cinfães), o quarto numa família de seis rebentos.Filho de pais agricultores, trago em mim a humildade que a vida exige, consciente do esforço que os meus pais fizeram ao mudar-se para Grijó em busca de uma vida melhor.
Desde esse longínquo inverno de 1973 que por aqui resido, atualmente com a minha esposa, e onde mais tarde ergui meu atelier.
Ao escrever esta biografia, pensei em contar como tudo começou; como fui desenvolvendo o meu trabalho de luthier e todos os desafios inerentes a esse percurso. Mas como ficou muito extensa e confusa, e como quero que quem leia a minha história a entenda e a sinta, vou contar-vos como se fosse uma história que mais tarde contarei ao meu neto Francisco, que tem agora 3 anos.
«Um dia, o avô To-zé, que era marceneiro desde os 12 anos e que adorava a profissão, quis aprender a tocar guitarra portuguesa, porque adorava o som da mesma.
Isto aconteceu há dezoito anos atrás. Sabes Francisco, eu queria aprender, mas não tinha dinheiro para comprar uma guitarra, e foi então que descobri na terra onde era escuteiro, em S. Félix da Marinha, mesmo aqui ao lado, um senhor que se chamava Bruno Martins, e que ensinava a tocar vários instrumentos; entre muitos, a guitarra portuguesa.
Esse velho e saudoso senhor, que depois se tornou meu amigo, lançou-me um enorme desafio: construir a guitarra onde mais tarde me ensinaria a tocar; um desafio que abracei com toda a felicidade.
Embora tenha sido difícil e exigente, e tenha levado meses a construir o que agora faço num, gostei tanto do processo, de tocar nalgo que saiu das minhas mãos, que nunca mais parei.
Passado todo este tempo já fiz muitas dezenas de instrumentos, desde guitarras portuguesas a guitarras clássicas, passando por violas de fado e toda a família de bandolins. Todos os instrumentos têm as suas peculiaridades, é isso que os torna únicos.
Mas sabes, também falhei muito. Também fiquei frustrado. Mas isso faz parte! Só com o erro evoluímos e aprendemos a ser melhores, a aperfeiçoar o que é bom e a torna-lo ainda melhor, não fosse o teu avô um eterno perfecionista. Se um dia quiseres Francisco, o avô ensina-te tudo o que sabe, para que possas continuar a levar música a quem precisa dela. Até lá, estarei aqui a ver- te talhar o teu próprio caminho.»
Um abraço, António
